11 de maio de 2009

Arte de Venâncio Pinheiro

PASSARINHO DO MATO!

Soube ontem:
"O cantor e compositor paraibano Chico Cesar é o novo presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Ele aceitou o convite feito pelo prefeito Ricardo Coutinho na noite desta quinta-feira (07). A posse no cargo está prevista para segunda-feira (11), as 15 horas, durante solenidade no Paço Municipal."
http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?94337

Mais tarde soube mais: Pedro Osmar será seu assessor.

E hoje recebo de Pedro esse texto:

PASSARINHO DO MATO: Chico César na Funjope!


(Pedro Osmar). 10.05.2009. SP.



Qual o significado de um artista como Chico César à frente da instituição municipal de cultura mais importante da cidade, considerando sua história de luta, que é anterior à sua carreira profissional de artista popular mundialmente conhecido? Será, certamente, um delicioso retorno às suas origens! Com a diferença que ele terá em suas mãos a direção da Funjope e todo o seu complexo de atividades e compromissos educativos com a cidade de João Pessoa (não sendo portanto, apenas o menino de recados de um mero projeto divulgador de festas para fazer a cidade cantar, dançar e se divertir), cidade que Chico conhece tão bem (becos, vielas, favelas, comunidades mais distantes), pois nela morou e trabalhou em grande parte de sua vida estudantil, poética, musical e jornalística. Sim, Chico César é um jornalista formado pela UFPB, na mesma turma de Walter Santos, Silvio Osias e Carlos César, tendo como seu maior farol intelectual figuras como Raimundo Nonato Batista e Jomard Muniz de Brito, ícones de toda uma geração! Este será o significado da presença dele a partir de agora!

Hoje Chico volta como um professor que dá suas aulas a cada show/recital/entrevista e palestra que realiza pelo país e pelo mundo. Um profissional que aprendeu com a vida (e vida aqui, no sentido de pensar e repensar e agir e interagir produtivamente aos conceitos, novos conceitos que defende como massa crítica de sua sobrevivência intelectual e política) em que os “signos” estão sempre em rotação, que as relações de poder estão sempre em mutação, quando o poder é exercido democraticamente por quem quer que seja, por ele, por seus parceiros de trabalho, pelo prefeito e toda a complexidade política que faz João Pessoa ser a cidade que “é”, no projeto político do nordeste. Nos perguntamos: João Pessoa poderia ser mais do que é? Poderia dar melhores exemplos e condições de vida aos seus moradores e populações? A certeza é que um dia a cidade, a partir de administrações mais democráticas e equilibradas, terá as condições objetivas para conquistar esse avanço, pois como diria David Cooper: “Não existe esperança. Existe uma luta, e esta é a nossa esperança”.

A chegada de um cara como Chico César à Funjope se reveste de uma importância singular, dada a pluralidade com que acentua e confirma a competência do seu discurso em tudo que faz: sua música, seus poemas, e agora, certamente, uma possível e provável administração democrática e socialista que poderá imprimir à frente da Funjope. O ser plural que ele é (e singular, em seu competente projeto criativo no contexto da música paraibana, nordestina e brasileira), terá condições de dialogar com as “esferas” (leia-se diferenças e contradições) da complexidade da política paraibana, sempre às voltas com as naturais polêmicas do exercício do poder que nos governa, um projeto de poder estadual ainda bem atrasado e burro, mas que se, futuramente, manipulado de forma coerente, inteligente e progressista (um dia será revolucionária), poderá gerar cada vez mais condições para que a democracia popular se instale de vez na cidade de João Pessoa, bem como em todo o estado. Ou seja, cenas de um cotidiano poderoso (ainda não popular) que terá na ação administrativa da equipe da Funjope (com Chico César à frente!), uma outra postura e uma série de novos entendimentos. Este será o nosso desafio!

Que tenhamos vida e fôlego e paciência para ajudar em todo o processo, até porque, depois de Lau Siqueira, ninguém melhor do que Chico César para entender essas necessidades e facilitar um trâmite próprio dessa máquina municipal de poder em que agora ele está inserido. E estamos todos com ele, disso ele não tenha dúvida. Até porque muito do que ele viveu na sua militância de políticas alternativas de cultura a partir dos anos 80, tem a ver com essas “irmandades comunitárias”, tem a ver com as ações guerrilheiras de cultura criadas e mantidas pelos projetos que ele participou: Musiclube, Fala Bairros e Movimento dos Escritores Independentes, que praticamente atuou e mexeu decisivamente (durante pelo menos uns dez anos), com a cena da música, da poesia e da cultura na cidade de João Pessoa.

Chico estava de dentro, contribuindo, influindo e interferindo de forma crítica e criativa com suas idéias, que sempre fundiram “chão rachado, aboio, jovem guarda, bossa nova e tropicalismo com as mais novas e avançadas tecnologias da informação das vanguardas da Semana de 22” (vanguarda européia e modernismo brasileiro), que fomos aprendendo nas relações de poder da luta política de cultura da cidade de João Pessoa daquele período. Certamente que o grupo Jaguaribe Carne tem muito a ver com isso. Não soará estranho agora se a Funjope passar a defender causas de “intercambio”, formação e preparo cultural entre os artistas e as populações nos bairros, assim como nas cidades paraibanas e capitais nordestinas, como base de sua política de trabalho, pois esse é o nosso maior aprendizado nas ações de guerrilha cultural que realizamos coletivamente através do Musiclube, do Fala Bairros e do Movimento dos Escritores Independentes. Essa noção Chico tem, e ela será muito valiosa no momento em que a cultura da cidade procurar um “chão” por onde se sustentar, caminhar e se equilibrar.

Enfim, são expectativas. Bom será a conquista de tudo isso pela coletividade pessoense, tendo claro que muita coisa terá de ser revista e ampliada, seja do lado do poder, seja do lado do povo organizado, para que a cultura na cidade tenha melhores dias. Democracia é essa capacidade de estarmos abertos ao aprendizado que o rolo compressor da vida sempre nos coloca, por bem ou por mal. Esperamos que a vinda de Chico César possa nos ajudar a compreender melhor tudo isso.

Vamos à luta!

9 de maio de 2009

Video muito legal sobre elaboração de projeto cultural

Informativo Fundação José Augusto


N.º12 | 2009

Sexta-feira | 08 de maio

FJA

EDITAIS DE TEATRO – até 05 de junho

Prêmio Lula Medeiros de Teatro de Rua

O total de recursos disponíveis para premiação é de R$ 120.000,00, onde serão premiados 15 Grupos e/ou Companhias de Teatro de Rua, no valor bruto de R$ 8.000,00 para cada. Como contrapartida, o edital prevê duas apresentações, uma a ser destinada aos alunos da Rede Pública Estadual, e outra de livre escolha na cidade de origem do grupo.

Prêmio Chico Villa de Circulação Teatral

O concurso tem como objeto de selecionar 13 projetos de artistas potiguares, que concorram com obras de sua própria autoria ou de outros autores potiguares.

Está destinado ao prêmio um total de R$ 139.000,00, divididos da seguinte forma: Módulo 1 - mínimo de 5 projetos de até R$ 15.000,00 e Módulo 2 - mínimo de 8 projetos de até R$ 8.000,00.

Como contrapartida, deverão ser realizadas obrigatoriamente duas apresentações, em duas cidades distintas do Rio Grande do Norte (o proponente não poderá inscrever sua cidade de origem como local de apresentação). Além de oferecer, obrigatoriamente, a realização de uma oficina com carga horária de 8 horas e contemplar no mínimo uma dessas apresentações em algum dos espaços sob a administração da Fundação José Augusto: Teatro Alberto Maranhão (Natal), Teatro de Cultura Popular (Natal), Teatro Lauro Monte Filho (Mossoró), Teatro Adjuto Dias (Caicó) e Casas de Cultura.

PRÊMIO CORNÉLIO CAMPINA DE CULTURA POPULAR – Até 08 de junho

Com inscrições abertas até 08 de junho, o prêmio visa a seleção de projetos de grupos tradicionais da cultura popular do Estado do Rio Grande do Norte que estejam em atividade há pelo menos 05 anos. Por manifestações tradicionais compreendem-se celebrações, rituais, festas e práticas sociais reconhecidas pelas comunidades como parte de seu patrimônio cultural. Serão premiados 25 projetos no valor bruto de R$ 6.000,00 cada, que poderão ser usados para atividades, tais como aquisição de indumentária, adereços, estandartes e instrumentos musicais; apresentação, circulação e registro da manifestação; transmissão de conhecimentos, criação de acervo e formação de jovens. O total de recursos disponível para a premiação é de R$ 150.000,00.

PRÊMIO DE DANÇA ROOSEVELT PIMENTA - Até 12 de junho

O Concurso Roosevelt Pimenta é um incentivo para Circulação de Grupos e Companhias de Dança do Rio Grande do Norte, em terras Potiguares e tem como objetivo a seleção de projetos de espetáculos para circulação em duas cidades do Estado, que não a de origem do Grupo/Companhia. O objetivo é estimular a circulação de obras coreográficas potiguares, além de incentivar, valorizar e divulgar a dança. Serão selecionados 5 projetos de espetáculos para receber cada um, o valor bruto de R$ 8.220,00. Totalizando um investimento de R$ 41.100,00.

PRÊMIO MOACY CIRNE DE QUADRINHOS - Até 12 de junho

Serão escolhidos 10 quadrinistas potiguares que integrarão uma coletânea de quadrinhos. O prêmio tem o objetivo de revelar e premiar o talento dos artistas profissionais ou amadores que militam na arte dos quadrinhos no Rio Grande do Norte, além de impulsionar a produção artística nessa área.

Serão concedidos 10 prêmios de histórias em quadrinhos, totalizando a soma de R$ 40.000,00, divididos da seguinte forma.

a) Infantil - 1º lugar: R$ 4.250,00 e 2º lugar: R$ 3.250,00

b) Histórico - 1º lugar: R$ 6.000,00 e 2º lugar: R$ 5.000,00

c) Aventura, Humor e Ficção - 1º lugar: R$ 6.000,00 e 2º lugar: R$ 5.000,00

d) Jovens Artistas - 1º lugar: R$ 1.500,00 e 2º lugar: R$ 900,00

e) Tema Livre - 1º lugar: R$ 4.550,00 e 2º lugar: R$ 3.550,00

PRÊMIO WILLIAM COBBET DE CINEMA – Até 15 de junho

Ë um concurso para produção de curtas metragens. A idéia do edital foi fruto das discussões ocorridas durante o ano passado na câmara setorial de audiovisual. As inscrições começam no dia 30 de abril e prosseguem até 15 de junho. O objeto é selecionar projetos de 04 filmes de curta metragem, do gênero documentário e ficção, com duração máxima de 30 minutos. Os projetos devem abordar necessariamente temas característicos do Estado do Rio Grande do Norte: um local, logradouro, estabelecimento, evento ou personagem. O valor destinado a cada um dos projetos será de R$ 20.000,00.

OFICINAS DE CAPACITAÇÃO PARA OS EDITAIS

A Fundação José Augusto irá promover uma série de oficinas para os interessados em participarem dos editais que estão abertos e que são de responsabilidade da instituição. Os editais fazem parte do Programa de Desenvolvimento da Cultura no Rio Grande do Norte. As oficinas serão realizadas no Auditório Franco Jasielo – na própria FJA – sempre às 15 horas.

Dia 13.05 – Prêmio Chico Villa e Lula Medeiros

Dia 14.05 – Prêmio Moacy Cirne

Dia 15.05 – Prêmio William Cobbet

Mais informações sobre os editais na Assessoria de Projetos Culturais - 3232- 5324 (com atendimento de 8 às 13 horas) ou na página de internet www.fja.rn.gov.br.

EDTAM

O Grupo Clássico Infantil da Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (EDTAM), apresenta no palco do Teatro Alberto Maranhão no próximo dia 11 de maio (segunda-feira) o espetáculo “Estilo”. Serão duas apresentações: uma às 16 horas e outra às 20 horas.

PROGRAMAÇÃO PROJETO SEIS E MEIA

O projeto Seis e Meia acontece três vezes por mês, sempre às terças-feiras em Natal, e às sextas, em Mossoró. Em Natal, o Seis e Meia é realizado no Teatro Alberto Maranhão e em Mossoró, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado. A entrada do Projeto custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada).
Natal
Maio
12 | 05 - Rita Ribeiro e Nordeste Nato
19 | 05 – Wando e Balalaika Brega Band
Mossoró
Maio
15 | 05 - Rita Ribeiro e Renata Falcão, Alfredo e os Caros
22 | 05 – Wando e Ferreira

PROGRAMAÇÃO DO DIA DO ARTISTA PLÁSTICO

A programação se iniciou hoje (dia 8 de maio), com um café da manhã para os artistas visuais, inauguração de uma exposição coletiva de pintura na Galeria Newton Navarro (FJA). À noite, no Palácio da Cultura, às 18 horas começa a Mesa Redonda “10 Anos de 8 de Maio”, com Pedro Pereira e João Natal - mediador Flávio Freitas. Após o debate, serão inauguradas duas exposições, uma coletiva de arte moderna e contemporânea e outra com o acervo da pinacoteca adquirido nos anos de 2007 e 2008. Completando a programação, tem o lançamento do catálogo do projeto Dencidade. Na mesma noite, só que em São Gonçalo do Amarante, no Teatro Poti Cavalcante, às 20 horas, é a vez do Projeto Musimagem – uma mostra coletiva de artes visuais e show com os grupos Pedubreu e Hannah. No dia 9 de maio (sábado) às 13h30min, o Palácio da Cultura abre suas portas para que o Diretor de Artes Visuais da FUNARTE, Francisco Chaves Bastos (Xico Chaves), faça uma discussão sobre política pública cultural para as artes visuais no Rio Grande do Norte. Encerrando a programação, o restaurante Calígula recebe o Projeto Musimagem, a partir das 22 horas.

POTICANTO

O projeto Poticanto - uma parceria entre o produtor Nelson Rebouças e a Fundação José Augusto, realiza no dia 20 de maio, às 20 horas, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel TCP, a apresentação do cantora potiguar Valéria Oliveira que subirá ao palco para homenagear o também potiguar Romildo Soares. A Entrada gratuita.

MEMORIAL CÂMARA CASCUDO

O Memorial Câmara Cascudo, em comemoração à SEMANA DOS MUSEUS 2009: MUSEUS E TURISMO, apresenta a exposição LER/SONHAR: Signos da busca da brasilidade nas
dedicatórias de Mário de Andrade a Câmara Cascudo. A amizade entre os dois intelectuais brasileiros rendeu uma vasta produção de conhecimento sobre a cultura e a literatura brasileira. A correspondência entre eles estendeu-se de 1924 a 1944 e durante este período foram trocadas várias obras entre os dois. Para resgatar esta história, o Memorial apresenta a exposição LER/SONHAR, composta por 08 (oito) painéis, além de objetos inéditos do público, como o ganzá presenteado pelo coquista potiguar Chico Antônio a Câmara Cascudo, por ocasião de sua visita com Mário de Andrade ao Engenho Bom Jardim (Goianinha/RN) em janeiro de 1929. É uma oportunidade de conhecer um pouco mais da história, da literatura e da cultura brasileira.

LOCAL: Memorial Câmara Cascudo

Praça André de Albuquerque, 30, Centro.

PERÍODO: Até 31 de maio de 2009.

HORA: 8 às 17h. Terça a domingo.

EDITAIS E PRÊMIOS NACIONAIS

PRÊMIO VIVA LEITURA – Até 24 de julho

Com o objetivo de fomentar a leitura e reconhecer as boas práticas que acontecem em todo o Brasil nessa área, os Ministérios da Cultura (MinC), da Educação (MEC) e da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a educação, a Ciência e a Cultura (OEI), abrem as inscrições para a quarta edição do Prêmio Viva Leitura. O Prêmio é de abrangência nacional e tem o objetivo de fomentar a leitura e também reconhecer as boas práticas que acontecem em todo o Brasil nessa área. É dividido em três categorias: Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias; Escolas Públicas e Privadas; e Sociedade (empresas públicas e privadas, ONGs, pessoas físicas, universidades e instituições sociais). Cada um dos três vencedores (um em cada categoria) vai receber R$ 30 mil , além de diploma e troféu. As inscrições seguem até 24 de julho. Outras informações: www.cultura.gov.br/


POESIA - Até 31 de agosto

A revista cultural Oca das Letras está lançando o I Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana – 2009. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de agosto, por meio da página www.ocadasletras.com.br/ . O prêmio contempla poesias concebidas nas línguas portuguesa, espanhola e Guarani. Os trabalhos contemplados farão parte de uma antologia poética contendo três poemas de cada um dos 20 primeiros colocados. Também será publicado um livro do autor vencedor. Os concorrentes poderão participar com três poesias, cada uma limitada a 25 linhas de 60 caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia. Outras informações na página da revista: www.ocdasletras.com.br/ .

AUDIOVISUAL

CPLP - Até 21 de maio

Estão abertas até 21 de maiso, as inscrições para o Primeiro Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - DOCTV CPLP. Para participar do concurso, o autor do projeto deverá possuir nacionalidade relacionada ao país da candidatura e efetivar a inscrição online, até 21 de maio de 2009, no site do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) de Portugal: www.ica-ip.pt. Cada país irá contemplar um projeto vencedor com um contrato de financiamento no valor de € 50 mil. O tema do concurso é livre. Outras informações: www.cultura.gov.br/

RUMOS CINEMA E VÍDEO – 29 de maio

Estão abertas as inscrições para a sexta edição do programa Rumos Cinema e Vídeo (2009 - 2011), promovido pelo Itaú Cultural, que se destina a apoiar a produção audiovisual contemporânea. O edital seleciona obras em três categorias - Filmes e Vídeos Experimentais, Eventos Multimídia e Documentário para Web, as quais deverão explorar os temas velocidade ou ruído. Mais informações: www.itaucultural.org.br/ .

COMUNICURTAS - Até 26 de junho

Estão abertas até o dia 26 de junho as inscrições de vídeos para a quarta edição do Comunicurtas - Festival Audiovisual de Campina Grande, que acontece de 24 a 28 de agosto. Este ano, o evento homenageará a atriz paraibana Marcélia Cartaxo. Além das mostras competitivas de curtas-metragens, o festival contemplará reportagens de televisão, com a Mostra Tropeiros de Telejornalismo, e peças publicitárias na mostra A Ideia é... voltadas à produções paraibanas. Foi criada ainda, para vídeos de um minuto, produzidos em qualquer formato, a mostra Estalo, direcionada a diretores e produções campinenses. Para participar o interessado deve preencher a ficha disponível na página do Comunicurtas www.comunicurtas.com.br e enviá-la até o dia 26 de junho, por sedex, juntamente com uma cópia do vídeo para o endereço: Departamento de Comunicação Social da UEPB, Rua Pedro I, S/N - bairro São José - CEP 58.107-615 - Campina Grande – PB. A postagem deve ser enviada aos cuidados de André da Costa Pinto. Maiores informações: comunicurtasprogramacao@gmail.com./

Fontes:

Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura

Fundação José Augusto

Produtores e Divulgadores Culturais

Acesse a página da Fundação José Augusto na Internet:

www.fja.rn.gov.br

Equipe Responsável:

Assessoria de Comunicação FJA

Entre em contato conosco:

assecomfja@rn.gov.br

7 de maio de 2009

O modelo de financiamento federal da cultura em discussão

O modelo de financiamento federal da cultura em discussão

por Joãozinho Ribeiro

O modelo de financiamento da cultura no Brasil, nos últimos tempos, tem sido objeto de vários debates públicos, promovidos tanto por iniciativa de órgãos governamentais quanto por instituições privadas, entidades profissionais e, recentemente, chancelado por importante evento promovido pela Folha de São Paulo para discutir mudanças na Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivos à Cultura).

Muitos pesquisadores têm se debruçado sobre a matéria, muitas teses de doutoramento e dissertações de mestrado em muitos renomados centros acadêmicos do país vem se multiplicando, principalmente pela posição estratégica e central que a cultura, em suas múltiplas dimensões, passou a ocupar na agenda nacional e internacional, através de tratados, convenções e acordos celebrados mundialmente (TRIPs, Agenda 21 da Cultura para as Cidades, Fórum Cultural Mundial, Convenção da Diversidade, Conferência Nacional de Cultura etc.).

Apesar de toda reconhecida grandeza da nossa produção cultural, a ausência de marcos regulatórios transparentes e democráticos neste setor, tanto reivindicados para outras áreas da economia do país, se constitui atualmente em verdadeiro gargalo, que no mínimo merece ser discutido, com certo distanciamento de algumas engessadas posições de segmentos artísticos e empresariais que não querem abrir mão de privilégios e do acesso a verbas públicas que sempre foram objeto de uma espécie de monopólio privado.

Não se trata aqui de bloquear o debate ou de conduzi-lo em cima de questões que pretendem se colocar acima do bem e do mal, como é a questão do "dirigismo", seja ele estatal ou privado. A questão maior que se coloca é que cultura também é direito; direito humano, direito fundamental, assim reconhecido pelas inúmeras declarações da ONU, incorporadas ao texto da Constituição da República Federativa do Brasil, que em seus fundamentos, enumerados no art. 3º, claramente dispõe:

Art. 3º. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

Sobre esse prisma, o modelo híbrido de financiamento federal da cultura em nosso país, calcado na renúncia fiscal e na disposição de fundos públicos, infelizmente tem contribuído, de forma contundente, para o aprofundamento das desigualdades regionais, afrontando um dos objetivos fundamentais da República.

Dados do próprio Ministério da Cultura explicitam esta situação de forma irrefutável, que pode perfeitamente ser aferida pelo seguinte quadro demonstrativo:

O Ministro Juca Ferreira resolveu colocar o dedo na ferida e discutir de forma democrática e descentralizada a questão, que a bem da verdade já vinha sendo objeto de visíveis descontentamentos há muito tempo em todo território nacional, constituindo-se em um dos temas mais debatidos na I Conferência Nacional de Cultura, realizada em dezembro de 2005. Em 2007 e 2008 continuou sendo ponto de pauta preferencial nas reuniões do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, em vários seminários, fóruns e audiências públicas promovidas por respeitáveis instituições da sociedade civil.

O que nos causa um certo desconforto, em relação aos pontos de vista expostos durante o debate realizado pela Folha de São Paulo, são posições corporativistas e descoladas da realidade cultural do país, como a do produtor paulista Paulo Pélico (Apetesp), assim publicada pela edição do dia 04 de abril do corrente do citado matutino: "Não podemos demonizar o incentivo fiscal porque o bumba-meu-boi está sem apoio", ao rebater uma afirmação do Ministro Juca Ferreira analisando que, nos moldes atuais, a Lei Rouanet concentra recursos em projetos do Sudeste e em artistas consagrados.

O Ministro Juca foi categórico e objetivo em sua resposta, conforme divulgou A Folha: "[Citar dessa forma o] Bumba-meu-boi é uma discussão pejorativa. Vocês vão acabar atraindo a antipatia do Brasil para São Paulo. Quem tem acesso [à lei] evidentemente não quer perdê-lo. Não quer ter critério público. Não quer critério nenhum.

Qualquer brasileiro tem direito de acesso à cultura. Todos os brasileiros, inclusive os do Piauí".

Ponto para o enfoque do Ministro Juca Ferreira, não só por defender uma das maiores expressões culturais do Brasil e do Maranhão - o Bumba-meu-boi - como por invocar a dimensão cidadã da Cultura - a dimensão da Cultura enquanto direito, humano e fundamental.

Atualmente, a minuta do projeto que prevê alterações na Lei Rouanet encontra-se sob consulta pública, abrigada no site do Ministério da Cultura (até o dia 06/05/2009). Após este período, será encaminhada pelo presidente da República para o Congresso Nacional, onde esperamos que a nossa bancada federal e os senadores que representam o Maranhão estejam atentos para não deixar passar esta preciosa oportunidade de corrigir tão importante ferramenta legislativa, capaz de propiciar a redução das desigualdades sociais e regionais do nosso país.

27 de janeiro de 2009

Artigo de Rubens Lemos Filho

A FALTA QUE O CÉREBRO FAZ - 26.01.2009

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A imbecilidade é tamanha que a raiva sai e deixa entrar a perplexidade. A paciência, que já tem ido embora algum tempo antes, cede a um torpor que imagino exista nos agonizantes que morrem sem dor. Só quem se depara, acredita.

Os sons são o que há de pior no cancioneiro de beira de estrada, puteiro e nos programas televisivos de nível X,Y e Z. Aqueles em que o corno vai pedir a última chance, a “atriz “ pornô jura que faz arte. E a apresentadora é aquela cujo parâmetro de ética um ex-Rolling Stone conhece bem todo mês quando paga sua pensão.

Nas praias potiguares, os carros são menores que os equipamentos e os seus donos, meninos jovemente embriagados, almas penadas se debatendo num exibicionismo ridículo.

Decibéis e decibéis. Duelos em alto volume. Um carro diante do outro, garotos com sorriso de idiotas fazendo pose para menininhas bonitas e encantadas. O idiota é inconfundível, seja em que faixa etária estiver.

É a versão “favelado de AR-15” do veraneio potiguar que chega ao fim. Vi num documentário que os traficantes iniciados se exibem com armas potentes e conquistam belos traseiros.

Os boys do litoral potiguar usam suas caixas de som e o seu repertório de otário onde é preciso “olhar a camisinha”, saber que o “sapo caiu na lagoa” e que a “barriguinha”, certamente, faz parte da próxima pauta da ONU com o presidente Obama.

Jovens que têm músculos. São exibicionistas, tarzans do narcisismo.

Ao vê-los, lembro dos bebês que nasceram anencefálicos nos anos 80 em Cubatão(SP), vítimas de uma brutal contaminação do meio ambiente.

A diferença é que as crianças de Cubatão nasceram sem cérebro, coitadas, por uma tragédia.

16 de dezembro de 2008


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Redinha de amores e dissabores
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Leonardo Sodré
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Quem passa ou fica na praia da Redinha nos finais de semana pode até pensar que está numa guerra onde o som das balas signifiquem fogo cruzado de barulhos não identificáveis. E é uma guerra mesmo, porque cada um dos donos de som coloca o seu mais alto, numa disputa insana que prejudica outros que gostam da paz, do silêncio e de música de qualidade numa altura razoável.
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Alguns sons parecem bate-estacas. E, para aonde você se virar vai ouvir barulho de música de péssima qualidade. Eles, os equipamentos de som, estão distribuídos em carros, casas e bares e cada um dos seus operadores busca colocar o seu mais alto, numa disputa não anunciada. Outro dia, indo em direção a Santa Rita, vi dois carros estacionados lado a lado cada um tocando uma música diferente.
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A coisa beira a loucura, porque nem mesmo os donos daqueles carros poderiam identificar o que estava saindo de suas caixas de som que enlouquecem a natureza. Fico imaginando lá do alto o que não pensaria um pássaro vendo tanto barulho por nada. Sim, por nada. Som alto demais não significa nada. Apenas que alguém está querendo aparecer, mostrar que tem um equipamento de qualidade. E isso é nada.
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Castilho, um dos líderes do bloco ‘Redinha dos Meus Amores’, que mora naquela praia desde sua aposentadoria, diz que nos fins de semana ninguém dorme direito. Comentei com ele que o bloco com esse nome sugeria uma recordação da Redinha dos pescadores e dos veranistas, uma praia silenciosa de muitos amores e boêmios, mas que agora havia se transformado numa praia urbana. Ele concordou dizendo que nesses novos tempos a praia já era a mesma, que havia perdido o romantismo de outrora.
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O meu velho amigo acrescentou que o jeito era fugir nos finais de semana para praias mais calmas do litoral norte. “Ou então, aderir ao barulho e acostumar o ouvido nos bares da região”, sorriu. O fato é que as autoridades não estão enxergando – ou será ouvindo? – essa questão que agride o meio ambiente e que, comprovadamente, é ruim para a saúde.